Seres sobrenaturais: os Anões

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Nas moradas subterrâneas de Midgard, neste mundo chamado Svartalfaheim, vivem os Anões ferreiros, fortemente associados aos Gnomos celtas. Senhores das forças telúricas, amantes da escuridão, trabalhadores ávidos e especialistas na produção de toda espécie de material cuja matéria prima seja metal ou pedras preciosas. Conta-se que surgiram no principio da criação de Midgard, quando o corpo de Ymir foi divido para criar nossa terra, eles seriam os vermes que consumiam o cadáver de Ymir.

Pequenos homens de pele enrugada, estatura baixa, barbas longas, roupas de couro com um avental onde guardam suas ferramentas e um gorro que pode torna-los invisível, estes seres fizeram parte e ainda fazem – porém em um nível consideravelmente menor – da fantasia dos povos da Europa Setentrional. Ajudavam xamãs e trabalhadores do campo em seus trabalhos e em diversos casos ajudaram também os deuses. Alguns dos instrumentos divinos mais importantes citados nas Eddas foram construídos por eles: a flecha encantanda de Gungnir que nunca errava seu alvo; o martelo do deus Thor, Mjollnir, que sempre voltava para a mão de quem o lançasse no ar; o anel Draupnir, de Odin, que a cada nove noites se multiplicava em nove; o lendário colar Brisingamen, de Freya; o palácio da curandeira Mingloth; os cabelos de ouro de Sif; o barco mágico Skidbladnir, de Frey, que diminuía até caber na palma da mão e o javali com pelos de ouro, também de Frey, Gullinsbursti.

Senhores das forças telúricas, da alquimia, dos metais e da sabedoria os Anões aparecem em vários trechos dos mitos nórdicos. Certas vezes negociando com os deuses, como quando o Anão Alvíss, segundo o poema, Alvíssmal, demonstra toda sua sabedoria em troca de desposar a filha de Thor, mas é enganado por ele. Thor estaria distraindo-o até que o sol nascesse e o transformasse em pedra. Outras horas também mostrando seu lado agressivo, como por exemplo, quando matam Kvasir, o mais sábio de todos os homens e transformam seu sangue no sagrado Hidromel, capaz de conferir sabedoria aquele que o ingerir. No entanto, mesmo no ato “maligno” dos Anões – que na verdade foi planejado pelos deuses, que sentiam inveja de Kvasir por ele ser o mais sábio de todos os homens, em todos os mundos – surge uma preciosidade,  o liquido que ajudou Odin a compreender as runas. Estes seres são em sua essência, apesar da aparência, geradores das principais preciosidades aproveitadas pelos deuses e muitas vezes divididas com os homens.

A sabedoria dos Anões é conferida pela idade milenar, e estes velhinhos têm também grande energia sexual que pode ser observada no trecho da Edda em que quatro deles se deitam com Freya para lhe presentear depois com o sagrado Brisingamen, o colar mágico desta deusa. Este mito representaria as riquezas vindas da terra para felicidade do homem. Ou mesmo a alquimia sexual que desperta a Kundaline trazendo para o iniciado as riquezas e a beleza do espírito. Os quatro Anões poderiam representar talvez os elementos básicos, terra, água, ar e fogo numa simbiose com a magia de Freya, do amor e da intuição (energia feminina) que enriquecem a intuição e a psique do iniciado, onde a mente em perfeita harmonia com estes elementos e os aspectos sombrios da natureza (sombrios no sentido de ocultos e não de maléficos) é enriquecida ganhando mais brilho e poder.

Guardiões dos tesouros da terra e da memória ancestral, estes seres são encontrados apenas em locais distantes da interferência humana. Valquíria Valhalladur sugere que a invisibilidade dos Anões Ferreiros seja fruto de uma incapacidade nossa de clarividência, perdida no desligamento do homem com seus instintos anímicos. Eu, particularmente, concordo.

Oferendas: pedaços de metais, pedras semipreciosas, cristais, moedas, leites com mel e gengibre, manteiga com ervas, instrumentos de trabalho em ferro ou outros metais. Nunca ofereça ou utilize objetos pontiagudos quando em contato com eles, mesmo que sejam objetos ritualísticos.

 

Aos viajantes, Sowelu!

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Seres sobrenaturais: Elfos

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Os seres elementais estão presentes em praticamente todas as culturas pagãs e não pagãs e são o sinal forte do respeito que elas tinham e algumas ainda tem, com a natureza que os cerca. A necessidade de se comunicar e manter uma relação amistosa com estes seres obrigava o homem a respeitar a natureza e desenvolver conhecimentos artísticos, alquímicos e medicinais que lhes proporcionassem uma vida mais harmônica.  Na Escandinávia estes seres foram fortemente cultuados, com lendas e locais específicos para sacrifícios e oferendas. Em alguns países da Escandinávia, como é o caso da Islândia, ainda existe uma forte crença nestes seres que serão descritos logo abaixo.

Neste termo (elementais) estão incluídos anjos, fadas, demiurgos, orixás, curupiras etc. Que são maneiras diferentes deles se manifestarem e de serem chamados, levando em consideração as diferenças climáticas, de fauna e flora e o fato de não terem formas específicas se adaptando muitas vezes a natureza do local onde habitam.

Aqui, trataremos dos Elfos, uma das classes dos elementais nórdicos. Eles são a ligação mais direta que podemos ter com as forças divinas. É através deles que surgem novas formas na terra. Eles auxiliam os alquimistas, magos, curandeiros, artistas e caçadores, mas exigem respeito para que a Mãe Natureza não nos cobre caro pela exploração de seus bens. Um belo exemplo deste respeito ocorre na cidade de Reykjavik (reiquiavic), capital da Islândia, onde na construção de uma rua em um local com muitas pedras, fenômenos estranhos levaram a prefeitura da cidade a compreender que seria melhor não remove-las, pois ali habitavam Elfos que estariam incomodados com a mudança. Resultado? No trecho onde se encontra a “Casa dos Elfos” a rua é mais estreita e nenhum motorista reclamou do fato de, naquele ponto, passar apenas um carro de cada vez. Os resultados deste respeito pela Natureza podem ser vistos na economia e nas belezas naturais deste país.

 

Os Elfos são divididos em dois grupos:

Elfos Brilhantes

Seres de altura mediana, pele, cabelos e olhos claros, orelhas pontudas, normalmente assumiam formas femininas mas existe um tipo específico com feições masculinas e de ancião. A morada deles é Alfheim, o mundo acima de Midgard, caminho para Asgard. Eles são os portadores da inspiração artística, prosperidade e fertilidade, gostam de dançar e cantar pelos ares. Dizem que emanam tanta luz de seus corpos que é impossível fita-los diretamente. Eles que fazem a vegetação crescer. Gostam de passear pelos raios lunares e deixam marcas circulares por onde passam. Adoram a luz. Aparecem apenas para aqueles que são merecedores de sua ajuda, mas sempre como um raio de luz branco ou colorido, não podem ser vistos com sua real forma. No reino de Alfheim são comandados por Frey e Sunna, sendo Skirnir o mais próximo de Frey. Todos os pensamentos criativos e inspiradores que chegam até a terra, presentes dos deuses, são trazidos por eles.

Oferendas: mel, leite, manteiga, pedras claras, metais claros, óleos essenciais, flores, poemas, canções, pinturas e artesanatos.

Elfos Escuros

Estatura baixa, pele escura, barba longa e feições grosseiras. Vivem em Svartalfheim, o reino abaixo de Midgard. Muito confundidos com os Anões, estes seres são também associados às rochas, pedras preciosas e semipreciosas. Era vistos normalmente em cavernas, minas ou grandes rochas. Temem a luz, que segundo a lenda os petrifica. Existem inúmeros relatos de pessoas que foram ajudadas por estes seres e também de pessoas que levaram sustos deles. Pela proximidade com o mundo da deusa Hel eles estão associados a memória ancestral. Eram considerados guardiões das riquezas da terra. Por este motivo deveria lhe presentear quem desejasse tirar algo da terra ou mesmo visitar uma caverna. Também ligados e Frey e Sunna representam o lado telúrico destes dois deuses.

Oferendas: Pedras semipreciosas, metais e especiarias da terra.

Uma outra história interessante e real que mostra o respeito, atual, dos nórdicos pelos elementais de suas terras:

http://www.vidanaislandia.com/files/f1932d199af7153807f5dcf0e3f35627-314.html

Estes seres são dotados de pureza e podem ser considerados ingênuos para algumas pessoas, o que é um equívoco. Sentem o cheiro das suas intenções, reconhecem os indivíduos basicamente pela cor da aura e os odores liberados, odores estes que podem revelar até mesmo seus pensamentos. Logo, não adianta fingir intenções, eles podem não ouvir sua voz se o seu cheiro incomodar. E podem não aceitar suas oferendas se estiverem contaminadas de intenções mefíticas. Através dos elfos exercitamos a pureza dos sentidos, das intenções e a pureza de ser natural. Quanto mais elevados forem seus sentimentos, emoções e intenções, melhor será seu contato com os elementais de uma forma geral, sejam eles Arcanjos, Orixás ou Elfos. Exercite e evolua.

 

Aos viajantes, Sowelu!

 

Seres sobrenaturais: gigantes

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Risi, Etins, Thursar, Jötnar e jätte

Risi: Habitantes pré-históricos dos países nórdicos. Bonitos, benevolentes e se relacionavam com humanos.

Etins ou Jötnar: Fortes e milenares, podiam ser enormes ou pequenos. Pela idade milenar tinham grande sabedoria, aliavam-se aos aesir ou aos Thursar. Não envelheciam.

Thursar: Representavam as forças incontroláveis da natureza e sua brutalidade. Não tinham consciência de seus atos. Idade avançada, manifestavam-se como gigantes do gelo ou do fogo (vale lembrar que a Europa setentrional tem grande concentração de vulcões e inverno rigoroso).

Os gigantes viviam em constantes guerras com os deuses, representando aí a tentativa dos deuses de manter a ordem, e salvar a humanidade do caos da natureza representado por estes seres. Por outro lado as gigantas eram cobiçadas pelos deuses, e algumas se tornaram deusas através de certas alianças. Estas por sua vez representavam a fertilidade e encanto da natureza, que também fugiam o controle do homem, mas que este poderia se beneficiar. A cobiça dos deuses pelas gigantas representa a fertilidade da natureza, sempre através dos deuses.

Por outro lado também temos nos gigantes, que representam o caos, importantes participações na beneficie da mãe natureza, a própria terra foi criada a partir do corpo de um gigante, Ymir, que não se sabe bem o motivo, mas foi morto pela tríade, Odin, Vili e vé, filhos de Bestla e Bur que eram gigantes e Bestla filha de Buri, o primeiro deus, avô de todos os deuses e também um gigante. Do corpo de Ymir fez-se Midgard, a Terra.

Odin filho de gigantes, Tyr neto de uma giganta, Heimdall também descendente de gigantes e todos eles se deitaram com gigantas, inclusive o próprio Thor que de acordo com as Sagas foi o maior “caçador” de gigantes.

O fascinante é percebermos como os mitos nórdicos descrevem bem a relação do homem com a natureza, e apesar de não aparentar a principio, o equilíbrio perfeito desta. Onde os gigantes, forças caóticas, temidos por suas atrocidades, eram justamente eles os geradores da vida e da própria terra e justamente através deles que surgiram os primeiros deuses. Este seres mostram aquilo que a ciência explica: que no principio da vida na terra, esta era formada por caos, este caos foi aos poucos se transformando em ordem, até que se tornou um ambiente favorável para existência do homem. O eterno conflito entre deuses e gigantes vem representando por sua vez a busca daqueles homens por sobrevivência numa natureza hostil. No meio desta natureza “cruel” alguns homens acabavam se endurecendo demais e se tornando demasiado cruéis (perceba que sem aspas desta vez), aqueles que conseguiam de alguma forma criar maneiras de superar a força da natureza, ajudando a comunidade, ou mesmo os insights de certos líderes eram vistos como sinais divinos que representavam a vitória dos deuses sobre os gigantes. Numa futura postagem sobre gigantes postarei um vídeo que fala sobre um herói nórdico que derrota um terrível monstro e a relação deste mito com fatos possivelmente reais.

Aos viajantes, Sowelu!

(Fonte: Mistérios nórdicos, Mirella Faur)

Os deuses nórdicos

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A mitologia de um povo sempre reflete aspectos do mesmo, sua maneira de ver a vida, as intempéries e táticas para se habituarem a natureza local e até mesmo as questões políticas. A Europa Sententrional, ou Nórdica onde se encontravam os escandinavos é até os dias de hoje, com toda a tecnologia existente um local onde muitas vezes a natureza põe os homens em situações delicadas, conforme vemos, esporadicamente em noticiários.

Séculos atrás os homens que por ali viviam enfrantavam dificuldades que o tornaram (os que sovreviviam) homens corajosos, fortes e até mesmo saguinários. Quando ouvimos falar dos Vnkings e seus costumes, sua brutalidade e algumas vezes referem-se a eles como “burros” temos que lembrar destes detalhes.

A mitologia nórdica com deuses mortais, de personalidade ambígua e seres sobrenaturais que estavam constantemente tentando destruir a ordem do planeta reflete bastante deste povo. Os sacrifícios humanos e de animais, as guerras saguinárias, as traições e dificuldades impostas pelo tempo são comuns tanto na mitologia como nos fatos históricos. Neste documentário produzido pela The History Channel temos as lendas de Thor um dos principais deuses do panteão nórdico. Um deus conhecido por sua força e fidelidade, pouco inteligente, ao contrário de Odin, mas que era o único capaz de enfrentar os gigantes e a serpente de Midgard que podem ser uma alegoria da força, muitas vezes destrutiva da natureza.

Vale ressaltar que com o advento do Ragnarok surge um novo mundo, com concepções diferentes e uma nova maneira de lidar com a natureza. É óbvio que houveram influências cristãs neste mito, no entanto ele é um forte ilustrativo da força do Wird, a força crística, regeneradora, transmutadora no qual impera a runa Dagaz, onde as tormentas de Hagal e Thurizas, bem como a inércia de Isa, através do resgate de Othila (o resgate dos antepassados através não do contato com eles próprios, mas do conhecimento, tesouros e heranças diversas deixadas por eles) nos traz a luz do novo dia. Onde Baldur (que é visto por muitos autores como o Cristo Nórdico) o bom deus, brilha intensamente. Não há mais conflito entre os deuses, ou entre as forças da natureza. Estas forças agora adormecem em Hel que represanta a parte mais oculta do nosso ser. Através do auto-conhecimento, não mais do sacrifício de animais e seres humanos, é que se pode entrar em contato com o divino e manter o equilíbrio da natureza, não só a natureza que nos rodeia, mas a nossa própria natureza íntima.

Assistam este vídeos e tirem suas próprias conclusões:

A saga de Bjorn

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Veja Esta animação divertida. Temos aqui fortes aspectos da cultura nórdica; As guerras, os gigantes, o desejo de morrer como herói, as diferenças entre o paraízo cristão e o inferno nórdico, entre outros aspectos. Aqui você pode, de maneira divertida, aprender um pouco mais sobre os Vikings e sua cultura.

Os animais na mitologia nórdica

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Os animais tem forte representação na mitologia nórdica, desde a Gênese até o Ragnarok.
No principio surgiu o gigante Ymir e dele todas as outras espécies de gigantes (Caos), essas forças caóticas deram principio a existência, a natureza era caótica; fogo, gelo, chuva, terremotos, mas eis que surge a manifestação primeva de vida e esta é a  vaca sagrada Audhumbla. De suas tetas jorravam rios leite que alimentavam Ymir (o caos) e do sal que ela lambia insistentemente após três dias, surgiu Buri, o primeiro deus, o principio da ordem.  Audhumbla  é um signo de fecundidade, origem de toda manifestação de vida, a energia formativa.
Odin em sua iniciação transforma-se em serpente (força telúrica) para mergulhar na habitação da giganta Gunnloh, somente nessa forma ele poderia passar pelas cavernas apertadas e escuras daquele mundo. Ao chegar lá e conseguiu roubar o hidromel tomando-o todo em um único sorvo, ele alcança a sabedoria oferecida pelo sangue de Kvasir,  e alcançado o elixir da sabedoria em mais uma epifania de sua trajetória iniciática, ele se transforma em águia. Representando assim a liberdade da alma, o homem que depois de ter mergulhado em suas condições primevas, telúricas, sombrias e limitadas, na condição da serpente que se arrasta pelo solo, encontra na parte mais sombria e escondida de sua alma o elixir da sabedoria e pode voar livre e alto como a águia, com sua visão altamente aguçada, seu voo rápido e seu ataque preciso. A águia mora nos lugares mais altos, se alimenta das serpentes e é majestosa nos céus é o pássaro de voo mais rápido e alto representando assim o contato com as forças celestes e o despertar máximo do nosso ser, adormecido pela música hipnótica do ego.

Na copa de Yggdrasill senta-se também uma águia sábia, simbolizando o sol, o espírito, a elevação do ser, a coragem a independência da alma. Entre os xamãs ameríndios, que viveram na américa do norte, a águia era tida como sagrada por ser raro encontrar seus ossos, eles acreditavam que ela sumia nos céus, de volta aos mundos celestes. Esta águia de grande porte tem entre seus olhos a habitação de um falcão, Vedhrfolnir. Este falcão viaja pelo mundo observando  tudo e leva suas percepções até a águia sábia. A águia vive na parte mais longe dos céus, é preciso o falcão Vedhrfolnir para viajar entre os mundos, próximo ao solo, observando tudo a sua volta, voltando a sua habitação no mais alto dos céus ele descreve até mesmo o inenarrável, graças a sua forte percepção capaz de absorver até mesmo o inapreensível. Vedhrfolnir é o elo entre os mundos mais sutis e os mundos mais densos.

Passeando pelo freixo temos o esquilo Ratatosk, o mensageiro da árvore que percorre por seus troncos e galhos desde a águia até a serpente Nidhug no mais profundo dos mundos. Ratatosk representa o Xamã que passeia pelos mundos em estado de transe, representa também a dualidade do ser humano que abriga dentro de si forças distintas e as muitas experiências e energias que teremos contato ao longo de nossas existências. Este animal sagrado carrega signos diversificados que nos induzem a percepção de como manter-se puro e firme nos seus propósitos espirituais mesmo passeando nos locais mais rústicos e de energias densas, o esquilo viaja entre os mundos, entrando em contato com forças diversas sem se manter escravo, é o médium, bruxo, feiticeiro, xamã, sacerdote que entra em contato com forças distintas e conhece desde o mais puro ao mais imundo dos seres sem desprezar a utilidade de cada um deles, entretanto sem se envolver diretamente.

Na copa do eixo do mundo temos um galo, chamado de Rooster, é ele que anuncia o alvorecer e garante o fim das trevas noturnas. Ligado a energia solar este animal é também um guardião, o canto de um galo antes do nascer do astro rei nos alerta para a possiblidade de intrusos por perto. Ele anuncia a chegada da luz, é ele quem nos alerta para a necessidade de percebermos as graças divinas. Mas também alerta para a chegada de gigantes, acordando os guerreiros que se preparam para o combate, Rooster é além de guardião um mensageiro, como um alarme da consciência.

Ao redor dos mundos existem os quatro veados, Daain, Dvalin, Duneyr e Durathror. Eles comem as folhagem e os musgos de yggdrasill, representando a renovação da natureza, renovação esta que dá passagem para as energias fluírem purificando e trazendo a constante evolução.

No raiz mais profunda habita Nidhog, a serpente dragão. Ela devora as raízes da árvore, que renascem instantaneamente e também a alma dos mortos inglórios, que vão para a habitação de Hel. Guardião da nascente Hvergelmir, Nidhog vive nas águas frias deste mundo. Símbolo da auto iniciação, onde de acordo com o pensamento gnóstico segue a “métrica” morte-nascimento-sacrifício, entendendo-se que é preciso morrer para que haja o despertar da consciência e possamos renascer para uma nova vida, indo muito além das iniciações formais, institucionais, a auto iniciação é um processo que acontece somente quando há o principio do adormecimento do ego (morte) onde passamos a ver a magia e o mistério da natureza e de todas as coisas (nascimento) para finalmente, ao concluirmos nossas percepções nos oferecermos em oblação para a evolução daqueles que ainda não despertaram, dos doentes, dos ignorantes, dos perdidos, dos desesperados de todos que estão moribundos em suas próprias vidas. Vista de maneira negativa, por seu caráter aparentemente imprevisível, as serpentes se arrastam pelo solo, quase não emitem sons, ficam horas em uma mesma posição, tem a pele fria e suas vítimas são calmamente esmagadas para depois serem devoradas, o fato de trocarem periodicamente de pele dá a estes seres o simbolismo do renascimento e da autotransformação. Seu formato fálico talvez sugira a sexualidade e é também associada a cura e a morte. Além de Nidhog outras serpentes devoram as raízes do freixo, porém sem afeta-lo, as folhas dessa árvore eram usadas pelos xamãs para tratar a picada destes bichos.

Sob o telhado de Valhala encontra-se a cabra Heidrun que também alimenta-se das folhas da árvore. É de suas tetas que sai o hidromel que é servido aos guerreiros imortais (Einherjar). Ligada a deusa Freya, a cabra representa a fertilidade, a força sexual, serenidade diante dos perigos. Heidrun representa a recompensa pela coragem, pela braveza, a fonte de força divina que é transmitida aqueles que com serenidade e coragem lutam por seus ideias, os guerreiros divinas, que estão não só nos campos de batalha mas em diversos campos espalhados pelos nove mundos.

Ao redor de Midgard, dentro de um enorme oceano vive a serpente do mundo, Ioumungandr, por seu enorme tamanho ela cerca toda a terra e parece devorar a própria cauda, símbolo da ouroboros. Ela serve de alicerce para o nosso mundo, não podendo jamais ser removida dali. Foi jogada ao mar por Odin e ali cresceu de tal forma que cerca nossa terra. Filha de Loki, irmã de Hel e do lobo Fenris, estes três são a tríade caótica. Thor era obcecado em capturar e matar esta serpente, porém sempre falhava em suas tentativas. Somente do Ragnarok ele é bem sucedido, porém após matar Ioumungandr com seu matelo Mjollnir, ele dá nove passos para trás e no último cai no veneno da própria serpente morrendo afogado. A serpente está ligada a forças misteriosas, como a Kundaline serpente de fogo que os homens precisam despertar para alcançar a maestria do ser, tornando-se livre como a águia.

No lago, em torno de Yggdrasil vivem dois cisnes, representam as valquírias Também são associados as ninfas, existentes em diversas culturas.

Outros animais são também de grande importância na mitologia nórdica:
Os Lobos Freke e Gere, acompanhantes de Odin, que se alimentam de carne, já que Odin por sua vez só se alimenta de cerveja. Representam o lado animal de Odin, como xamã este comunicava-se com os animais. Representam também a proteção, e são seres de sentidos extremamente apurados.
Os dois Corvos que acompanham Odin, e que viajam pelo mundo mostrando para Odin tudo o que se passa, representam a intuição, sabedoria, inteligência, curiosidade. Por serem atraídos por tudo que brilha representam também o interesse deste deus por luz e sabedoria.Sleipnir, o cavalo de oito patas de Odin, filho de loki, com este cavalo Odin podia entrar em todos os mundos, seus dentes tinham runas cravadas e suas oito patas lhe possibilitavam andar mais rápido que o vento. Representado na runa Ehwaz este animal sagrado simboliza o movimento do sagrado, traz Odin até Midgard para ouvir nossas preces, guia os heróis desencarnados até Asgard, é um elo entre o fiel buscador e seu deus é a esperança do herói desesperado, é a certeza de que as coisas estão caminhando.

Os animais sagrados, animais auxiliares etc. estão presentes na cultura xamanica por estes homens terem o costume de aprender com os animais como se deve conviver com a natureza, entre algumas tribos dizia-se que os xamãs podiam se transformar em aninais, e os animais totêmicos eram recebidos no ato da iniciação. Este acompanharia o xamã e definiria sua missão, protegendo-o, fortalecendo-o e auxiliando ele nas curas e nos feitiços em geral. Estudiosos de biologia e veterinária afirmam que compreender os animais e lidar com eles é muito mais simples que conviver e lidar com os seres humanos, dentro de cada um destes seres mitológicos existe um conjunto de signos que nos ensinam a conviver em harmonia com a natureza, com os deuses e com nós mesmo, a experiência de incorporar os signos que constroem uma serpente ou uma águia ajuda o xamã a transcender a condição humana, alcançado patamares elevados na sua sabedoria. A compreensão destes signos nos ajuda na compreensão da runas, que são a revelação dos sussurros, dos “mistérios” da nossa vida.

Os nove mundos

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Extraído livro "As moradas secretas de Odin" Valquíria Valhalladur

Não é só na cultura nórdica que ouvimos falar em outros mundos e outras dimensões, eles na verdade são comuns em praticamente todas as culturas. No próprio cristianismo encontramos três dimensões, Céu ou paraíso, terra e inferno os católicos por sua vez ainda creem no purgatório. Na mitologia Iorubá temos também nove mundos, e estes por sua vez podem ser acessados através de uma árvore mística (já ouviu esta história em algum lugar?).
As nove dimensões da mitologia nórdica eram acessadas pelos xamans, que em estado de transe passeavam por estes mundos e traziam de lá seus relatos. O mesmo ocorria em outras culturas. Na mitologia Iorubá os nove mundos podem ser contactados através do oráculo de ifá, é possível por exemplo saber em qual destes mundos se encontra um ente querido que veio a desencarnar no nosso mundo.
Na mitologia nórdica, diferente da cristã há uma ligação entre os mundos, estes podem ser visitados desde que seguindo a determinadas normas. Os falecidos por motivo de doença ou velhice vão para Hel onde vivem num profundo silêncio aguardando o momento de voltar para Midgard (terra). Estes mundos são separados por se tratarem de dimensões diferentes, entretanto é como se ocupassem um mesmo espaço, são interligados e tem influências diversas uns sobre os outros.
Os nove mundos representam também um aglomerado de aspectos da alma humana, da natureza e da própria psique do homem, onde Hel é o nosso lado mais oculto, nossas lembranças ancestrais, aqueles pensamentos e sentimentos que adormecem aguardando o momento certo de despertar (não necessariamente pensamentos e sentimentos destrutivos, podem ser virtudes também, evite a associação de Hel com o inferno cristão).  Esta associação pode nos remeter também ao Eneagrama, estrela de nove pontas, que de acordo com estudiosos pode definir a personalidade de um indivíduo, onde cada ponta do Eneagrama representará um estado do desenvolvimento do ser, seus aspectos positivos e negativos. São muitas as associações que podem ser feitas entre a mitologia nórdicas e outras mitologias, justo pelo fato de todas essas estarem de alguma forma interligadas, tal qual os nove mundos.

Agora vamos a descrição destes nove mundos:

Midgard: No centro de Yggdrasill está Midgard, o jardim do meio, o planeta terra, nele estão reunidos e mesclados os poderes dos outros mundos, é cercado por um lago, onde vive a serpente Midgardsomr, também chamada de serpente do mundo, ela devora insistentemente a própria calda, símbolo do ouroboros. Midgard é a manifestação material do cosmos, esta foi criada a partir do corpo do gicante Ymir, e suas sobrancelhas usadas como cerca para proteger nosso mundo dos gigantes.
Runa: Jera.
Ljossalfheim (ou Alfheim): Morada dos elfos claros, não é percebido pelos humanos, representa o universo mental. Conhecimento, arte,  criatividade, imaginação são exemplos da influência dos elfos claros em nosso mundo, é através de Ljossalfheim que o pensamento consciente se transforma em ações positivas.É a energia de Asgard transmitida para Midgard, nele se concentram as mais elevadas frequências do ser humano, em contanto com o pensamento divino. Ligado a Frey e Sunna, é um mundo também da fertilidade e vivacidade.
Runa: Sowelu
Svartalfheim: Mundo dos elfos escuros e anões, guardado pelo anão Modsognir. É neste mundo onde a matéria bruta é refinada. Os elfos escuros temem a luz, que pode transforma-los em pedras, tantos eles quanto os anões evitam o contato com humanos. Neste mundo estão as ideias brutas que serão manifestadas posteriormente em Midgard. Nele estão contidas as mais puras energiar de Hel e as mais densas de Midgard, é o oposto de Ljossalfheim. Em Svartalfheim todas as coisas tomam forma através da forja das trevas. Rege o plano emocional, por este ser o aspecto mais difícil de se controlar.
Runa: Eihwaz

Helheim: Também chamado Hel, está no nível mais profundo de Yggdrasill, associado aos mortos, governado pela temida deusa Hel. É para este mundo que vão as almas dos mortos inglórios, aqueles que morreram por velhice ou doença. Nele reinam o silêncio, a inercia e a escuridão. Nele pode-se chegar por uma ponte, guardada por Mordgud, ela é larga, porém escura e passa por cima do rio Gjoll, rio que alimenta todos os rios de midgard com suas águas. Hel é a base do iceberg das emoções humanas, e é também a fonte de toda a criatividade, foi neste mundo que Odin mergulhou afim de alcançar o Hidromel que lhe deu sabedoria e glória eternas. A governanta deste mundo, de mesmo nome, é conhecida por sua aparência dual, onde a parte de cima do corpo é morta e fúnebre e a parte de baixo, viva e sensual, representando a vida e a morte neste mundo misterioso. É importante lembrar que Helheim não tem relação com o inferno cristão, não é um mundo de tormenta, mas sim um mundo de profunda expiação, de autoconhecimento extremo, onde mergulhamos no mais profundo de nosso ser, afim de estarmos mais maduros ao voltarmos para Midgard.
Runa: Segundo Mirella Faur é Hagalaz, porém, na minha opinião Naudhiz e Othila estão mais relacionadas.
Nilfheim: Acima da raiz mais profunda, no lado norte está o mundo das brumas, o frio cósmico, gelo primal. Nilfheim participou com Muspelheim da criação do mundo. O encontro do fogo de Muspelheim e o gelo de Nilfheim que deram origem a água que era derramada no abismo de Ginnungagap e transformada novamente em gelo (A gênese nórdica está contida também neste blog). E segundo o poema Völuspa é de Nilfheim que sai o barco da morte (Naglfari), conduzido por Loki, que dará início ao Ragnarök e partindo dessa teoria temos mais uma vez a importância deste mundo na mitologia, já que tudo recomeça através dele. Este é o mundo da inércia, os que por ali passeiam ficam bem próximos da loucura, pois na inércia do espírito o ego ganha asas e será preciso o fogo de Muspelheim para que possamos nos desmanchar pelo abismo de Ginnungagap, um verdadeiro processo alquímico de evolução do ser.
Runa: Segundo Mirella Faur é Naudhiz, porém, na minha opinião Isa está mais relacionada a ele.
Muspelheim: O fogo cósmico. Reino de Surt guardião da espada flamejante, de sua espada saiam demônios de fogo, que devoravam tudo pela frente. São os habitantes deste mundo (gigantes chamados de Thursas e Etins) que dão início ao Ragnarök. Assim como Nilfheim está diretamente ligado ao processo de surgimento-destruição-ressurgimento do mundo. É a energia elétrica do fogo, incentivando a expansão do universo. Diz-se um mundo perigoso para se visitar.
Runa: de acordo com Mirella é Dagaz, eu mais uma vez discordo, Kenaz me parece mais relacionada.
Vanaheim: Mundo dos Vanes, este deuses representam a fertilidade da terra, as forças da natureza, o amor e a abundância de alimento. Considerado um lugar de paz e plenitude. Aqui modelam-se os processos orgânicos, a fertilidade, prosperidade, magia e abundância. Os vanir foram os primeiros deuses da mitologia nórdica, cultuados no neolítico, ligados ao campo e a família, como nesta época os homens eram em sua maioria nômades, e as terras ainda pouco desbravadas, existiam poucas preocupações com guerras, logo estes eram deuses de um mundo de paz, onde a maior preocupação dos homens era o alimento, o casamento e a sobrevivência diante da força da natureza. Para este mundo iam os praticantes do Seidhr (técnica de transe orácular). Regido por Frey e Freya deuses que eram irmãos gêmeos e também amantes, cuja união garantia a unidade dos nove mundos.
Runa: Mirella descreve Inguz, porém Feihu também tem forte ligação com este mundo.

Jotunheim: À leste do eixo cósmico, este é o mundo dos gigantes. Estes viviam em guerra com os Aesir e ameaçavam constantemente invadir Midgard. Os gigantes representavam as adversidades da natureza, trata-se de forças incontroláveis e destruidoras, não por serem maus, mas por não terem controle de seus próprios impulsos, sua própria força.  É um mundo de estagnação, porém a nascente de Mimir está ligada a este mundo, oque indica haver pontos de sabedoria nele, e é provável que sejam as gigantas, elas eram belas e encantadoras e procuravam transcender a condição primitiva de seres irracionais, muitas se tornaram deusas.
Runa: Mirella cita Isa, acho Thurizas mais pertinente.
Asgard: O mundo dos Ases, está acima da terra. Os Ases são deuses ligados ao céus, estrelas, astros em geral. Asgard é rodeado por um rio mágico que é ligado a Midgard. Nele chega-se passando pela ponte Bifrost, guardada por Heimdal, ela é um arco-íris que segundo Snorri Sturluson seria a própria Via Lactea. Este mundo representa a evolução da consciência, os pensamentos mais puros, a inspiração divina. Só pode ser alcançado através de muita fé e devoção, e sacrificando o próprio ego em nome de um bem maior, os que para lá iam eram levados pelas Disir (“mulheres sobrenaturais, eram espíritos ancestrais guardiões que cuidavam de seus discípulos e em certas ocasiões lhes pregavam peças com a finalidade de lhes dar lições”) ou Valquírias (donzelas que levavam as almas dos guerreiros até Odin). Odin e Frigga são seus regentes.
Runas: Gebo e Ansuz

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